Sábado, Novembro 14, 2009

Ruas proibidas



Sem que eu desse por isso, algumas ruas desta cidade foram ganhando um sabor e uma cor diferentes.
Curioso que só tenha reparado nisso agora... talvez por desta vez o choque ter sido mais forte que o das outras ruas que me abandonaram.


Percorro normalmente qualquer sitio desta cidade - seja ele conhecido ou desconhecido de mim - mas quando passo por uma dessas ruas e vejo a entrada de um certo edificio ou começo a vislumbrar uma certa janela lá mais à frente, esta cidade – que sempre foi e sempre será a minha cidade - parece que se tornou demasiado pequena para eu lhe conseguir encontrar ar que respire... diria que se tornou numa infima, insignificante e irrisoria caixa de vidro onde não sou mais que um gigante a tentar fazer de contorcionista, em busca de uma restea de ar que me alivie...

Por vezes nem preciso passar por uma dessas ruas, basta passar por outra adjacente ou ter uma ligeira visão parcial de um edificio que me abandonou e o peso no peito começa a alastrar, e o vazio que me consome começa a tomar conta de mim.
E acabo por me lembrar como eram no seu intimo - os tempos que passei lá dentro ou os detalhes que lhes decorei enquanto estava cá fora a olhar para o interior imaginado desses edificios que me abandonaram. Agora apenas lhes vejo o cinzento, enleados em teias do tempo que me deixou para trás, como se nunca tivesse sido ali o meu lugar, como se nunca tivesse deixado ali um pouco de alegria. Como se o coração nunca quisesse guardar sitios e momentos a que pudesse chamar de seus...

Sem que eu desse por isso, algumas ruas desta cidade negam-me o ar... e lembro-me perfeitamente de todas as vezes que fui abandonado por esses lugares. Todos os olhares que tentam refugiar-se para não mostrar a dor que nos trespassa. Todas as lágrimas que lutamos por guardar bem fundo na insensibilidade que não conseguimos ter nesses momentos... Todas as razões infundadas que deveriam ser gritadas, na ansia de evitar um fim que se torna real à frente dos nossos inundados e impotentes olhos.

Lembro-me como se tivesse sido ontem...
Sem que eu desse por isso, abandonaste-me outra vez...quem sabe se para sempre...



Este texto tem algumas semanas. Apenas hoje o conclui e fiz as alterações que lhe achei melhor. Não quer dizer que esteja do meu total agrado, nem de perto, mas pronto, foi o que se arranjou...




Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Disfarce
...ou "duas piadas idiotas (a condizer com o autor) para pensarem que eu ando feliz da vida"



Piada idiota #1

Se o Jaime Gama e o Jorge Palma, será que a Pink Floyd?



Piada idiota #2

Chamo-me Eustáquio, mas se achar o nome muito comprido pode chamar Eu.




Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Cocoon-bound



Um dia as ásperas e coreáceas paredes deste casulo começarão a perder o seu vigor. Lentamente irão ganhar a tendência para ceder, até que chegará o momento em que a luz começará a entrar através do leve, frágil tecido - antigamente sólida parede que impedia o exterior de entrar…
As chuvas chegarão, tornarão essa parede ainda mais frágil ao ponto de parecer uma folha de papel vegetal…
Facilmente irei desfazer essa parede, abrirei um buraco na prisão que tanto tempo me manteve afastado de algo que se possa chamar de “vida” e pela qual atravessarei com uma exultação e um sentimento de antecipação, de quem espera aprender tudo como se uma criança fosse.
Lá fora, no exterior, alguns raios de sol se esquivarão às nuvens para me dar as boas vindas. A inicio estranharei a luz, ferir-me-ão os olhos, mas depressa se habituarão a esses golpes de claridade e clarividência.

Olharei em meu redor, esboçarei um ligeiro sorriso pleno de gratidão, alegria e um sentido de missão por cumprir.

E, nesse instante, abrirei os braços em redenção… para reparar que as asas não chegaram a nascer...




Sexta-feira, Setembro 04, 2009

[Samson]
uma lenda, apenas



Fiquei a conhecer o trabalho desta senhora através do blog do Markl há uns poucos anos. Admito que também ouvi pouco mais que esse primeiro álbum (que gosto bastante). Lembro-me também de um clip que vi no youtube em que ela canta uma música, enquanto toca piano com a mão esquerda e com a direita bate ritmadamente com uma baqueta numa cadeira… sim, numa cadeira. Pode parecer estranho, mas também gostei dessa canção.

Esta musica que aqui coloco agora apanhou-me desde a primeira vez que a ouvi. A primeira frase desarma-me, cada vez que a oiço. A melodia é excelente e é fácil deixar-me levar pela calma que se instala em mim… e sinto-me obrigado a ouvir mais uma vez, quando chega ao fim.
Já sei que cada um interpreta as coisas como bem lhe entende. Uns tiram de certos textos ideias completamente diferentes de outras pessoas. Não sei se a letra desta musica será um caso destes.
Para mim esta musica espelha a história de Sansão e Dalila, dita com a força de uma Dalila entregue aos sentimentos pelo seu Sansão, a contar a história do que realmente lhes aconteceu, em primeira mão, como se estivesse a escrever no seu diário pessoal… como se o seu diário pessoal estivesse a ser lido pela Regina Spektor.

Regina Spektor canta o seu espectacular Samson.



You are my sweetest downfall
I loved you first
Beneath the sheets of paper lies my truth
I have to go
Your hair was long when we first met

Samson went back to bed
Not much hair left on his head
Ate a slice of wonder bread and
Went right back to bed
And the history books forgot about us
And the bible didn't mention us
Not even once

You are my sweetest downfall
I loved you first
Beneath the stars came falling on our heads
But they're just old light
Your hair was long when we first met

Samson came to my bed
Told me that my hair was red
Told me i was beautiful and
Came into my bed
Oh i cut his hair myself one night
A pair of dull scissors in the yellow light
And he told me that i'd done alright
And kissed me till the morning light

Samson went back to bed
Not much hair left on his head
Ate a slice of wonder bread and
Went right back to bed
Oh we couldn't bring the columns down
Yeah we couldn't destroy a single one
And the history books forgot about us
And the bible didn't mention us
Not even once

You are my sweetest downfall
I loved you first

(Samson, Regina Spektor)

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Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Eu até nem queria gelado...



Quando não tenho nada de jeito para fazer, acabo por fazer das coisas mais inuteis que se possam lembrar.
E quando me dá para ter ideias à idiota, então é melhor sairem de perto.
Desta vez deu-me para isto: uma forma airosa de dar um "não"... (já sei, é demasiado rebuscada e "trabalhada" para se usar na vida real).


"Desculpa. Não leves a mal, mas o meu coração já tem dona… está é nos perdidos/achados, à espera que ela o venha reclamar."




Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Why don't we share a silent tune...?



Até consigo compreender que certas pessoas me evitem, também eu me evitaria, se pudesse. Mas deixa-me triste que, sem terem motivo nenhum para isso, me tratem com desdém e mostrem nos olhos uma raiva latente de quem quer arrancar-me a pele à força de cadeiradas, partir-me os ossos em mil pedaços irreconciliáveis e deixar-me a sangrar ao abandono num beco escuro qualquer…




Domingo, Agosto 23, 2009

Verdades universais ou nem tanto assim?



“Nas mulheres, curiosidade é um ímpeto vindo das virilhas...

...nos homens, TUDO é um ímpeto vindo das virilhas!”



Ideia lançada por um "sábio chinês", tirada de um filme que está a passar no MGM...




Terça-feira, Agosto 11, 2009

Worldspotting #4

Amanhã entro de férias por mais uns dias. Se tudo correr bem, quarta-feira de manhã estou a abalar para Sagres, onde vou ficar por uns dias... uma ténue tentativa de dispersar os pensamentos que me perseguem. Talvez com a nunca esquecida esperança de os expiar de vez...
Nunca me passou pela cabeça que esta segunda-feira fosse ser tão complicada. Sabia que havia uma forte probabilidade de se tornar algo dificil, mas nunca pensei que fosse ser assim tão dificil...
Depois de algumas semanas em que se tornou quase impossivel continuar a fingir um sorriso, a culminar nesta segunda-feira tão oposta à palavra "maravilhosa", estes poucos dias de férias longe disto tudo serão como uma brisa de ar fresco ... assim espero eu. Como diria uma amiga minha, espero vir de mente reciclada... ou então que venha apenas demente.

Mais uma foto tirada há semana e meia, numa das idas à Ilha do Farol (tal como a #1 e #3).

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Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Worldspotting #3

Sábado passado... é passado.

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Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Worldspotting #2

Esta foto tem quase 3 anos. Nem me lembro se já a tinha postado aqui, mas cá vai à mesma...

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Terça-feira, Agosto 04, 2009

Worldspotting #1

A vontade de escrever não tem sido muita... não me sai nada de jeito, a não ser deitar-me ainda mais abaixo do que já sou. Por isso tenho decidido não escrever aqui...
Tenho tentado manter-me ocupado, e aproveitei uma ida à Ilha do Farol para tirar umas fotografias. Deixo então a primeira aqui, que capta o instante em que um avião se apronta para aterrar no Aeroporto de Faro, enquanto ao fundo se nota outro a levantar vôo.
Tirada a partir do barco de regresso da Ilha do Farol em direcção a Faro e ao fim da tarde...
Espero que seja do vosso agrado.


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Segunda-feira, Julho 20, 2009

These days...



O poder da negação quase não tem limites... valha-nos isso, para nos manter de olhos fechados, em tempos de trevas...



A frase anterior nada tem a ver com os 40 anos da chegada do Homem à Lua... tem a ver com os mais de 32 anos a tentar acreditar no brilho das estrelas...




Terça-feira, Julho 07, 2009

[Damelo ya]
viagem no tempo

Lembrei-me de alterar a musica que por aqui paira. Um bocado em sentido contrario em relação a como me tenho sentido ultimamente, em que tenho tido alguma dificuldade em retirar o positivo do que me rodeia. Não sei porquê, mas parece que pouco ou nada me anima, nestes ultimos tempos. As escolhas que faço são os mesmos subterfugios do costume, com a agravante de ficar a saber pouco depois que se calhar até deveria ter dito qualquer coisa, nem que fosse para ouvir um simples não... afinal de contas, nada de diferente do habitual.
Pelo menos o torneio de futebol de salão em que me meti, para matar saudades de outros tempos, tem corrido bem. A fazer lembrar esse poder que o futebol tinha sobre mim, de me fazer esquecer os problemas que me assolavam nessa altura. Não deixa de ser estranho que hoje em dia, essa alegria e esse poder de me fazer esquecer dos problemas seja bem mais efemero que antigamente, e no fim dos jogos, quando chego a casa a alegria parece que não durou mais que alguns segundos depois do apito final...


A musica que aqui coloco, desta vez, é diferente do habitual. Não sei se alguém que passe por aqui a conheça, trata-se de uma cantora andalusa nascida em 1978, de nome Pastora Soler e que em 1999 gravou um disco chamado Fuente de Luna, onde se podia encontrar este Damelo ya. É um som um bocado diferente do que habitualmente passa por aqui e que me faz lembrar o fim/inicio de século, em que as noites se prolongavam até se chegar à hora de fecho numa pista de dança com musica brasileira (nos tempos em que era boa), e tambem nos anos loucos da musica latina (com musicas do estilo de La luna y el toro, El tiburon, El venao e outras que tais). Outros tempos, outros sons, outros ritmos... outras formas de viver a noite (e o dia).

Aqui fica então o Damelo ya, com a respectiva letra.

Pastora Soler - Damelo ya



Ya sé que cuando el río va sonando
Dicen… que agüita lleva
Si es buena, dámela, dámela, dámela ya
Que me la beba (bis)
Ya ves, que por ti vivo colaíta
Como una loca
Si es bueno, dámelo, dámelo, dámelo ya
Besa mi boca (bis)
Ay.. ay, ay
Ay, que puntito tiene la noche
Cosas buenas tiene Hasan
En los jardines de palacio (bis)
Ay, que puntito tiene la noche
Ya sé, que vienes fresca y que tú la guardas
Como un tesoro
Si es buena, dámela, dámela, dámela ya
Que prueben un poco (bis)
No ves, que el tiempo vuela y se va la luna
Si me roneas
Si es buena, dámelo, dámelo, dámelo ya
Que me mareas (bis)
Ay… ay, ay
Ay que puntito tiene la noche
Cosas buenas tiene Hasan
En los jardines de palacio…(bis)

(Damelo ya, Pastora Soler)

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Quarta-feira, Julho 01, 2009

Apetece-me gritar a plenos pulmões... eu sei que não posso, mas apetece-me...



Não leiam isto. A sério. Para o “nosso” bem.

Há coisa de pelo menos três anos que não jogava uma partida de futebol a sério, que contasse para alguma coisa.
Nos ultimos Verões passava os torneios aqui da aldeia a ver os outros a jogarem, por vezes a ajudar na organização, já que não tinha mais nenhuma utilidade.
Este ano houve uma equipa que desistiu em cima da hora, e o meu primo perguntou-me se não conseguiria arranjar uma equipa. Um bocado em cima da hora... tinha pouco mais de 24 horas para convencer uma dezena de pessoas a correr feitos loucos atrás de uma bola, a arriscar a levar umas belas porradas nas pernas e sei lá que mais.
Tarefa dificil...

Esta noite voltei a participar num jogo de futebol (de salão, neste caso) em que havia mesmo alguma coisa em jogo, com pessoas à volta a gritarem pelos seus e com o sangue a fervilhar nas veias, como que de alegria.
Jogámos contra uma equipa que tinha chegado à final duas vezes nos ultimos anos, e aquele ambiente fez-me sentir vivo como há muito não me sentia.
Gánhamos 4-3 mas isso pouco me interessa. Voltei a sentir o que é jogar um jogo a sério... e que falta me fazia.

Três anos depois do ultimo jogo a sério, futebol (quando sou eu a jogar) continua a ser a unica coisa que não me desaponta...




Quarta-feira, Junho 17, 2009

Rastilho

A luz entrava por entre as persianas mal fechadas, numa tentativa de esquartejar os olhos, sem dó nem piedade. Uma enorme turba de sons irracionais irrompiam da rua, pela casa adentro, como se tentassem entrar todos de uma vez, fazendo lembrar os efeitos especiais dos filmes de cinema onde aparecem animais pré-históricos e cujos sons são impossíveis de identificar. E isto tudo misturando-se dentro da cabeça, ainda meio a andar às voltas, invadindo os sentidos, alojando-se no crânio fazendo trajectórias em velocidades alucinantes, lutando para expandir aquele espaço exíguo para limites que não podia conquistar, a partir de dentro.

A respiração, essa era dificultada por gemidos de dor e agonia que se atiram à atmosfera, sem o consentimento de um corpo que quer adormecer sem hora definida para acordar. O leito não era mais que um simples e gasto sofá estranho àquele corpo, numa divisão com dimensões diferentes daquelas a que está habituado a ver no seu dia-a-dia.

Um pequeno arrepio que lhe percorre o corpo de cima a baixo - causado pelo facto de dar-se conta que não sabe onde está, nem se lembrar como foi ali parar – depressa se desvanece, pela falta de forças, levando o corpo de volta à letargia que lhe tolda os movimentos. O barulho e as luzes continuam a impedi-lo de adormecer, mas o corpo recusa-se a levantar-se para fechar as persianas ou mesmo tapar os ouvidos…
Onde estaria? Que lugar era aquele?

Finalmente, e a muito custo levanta-se. Repara que estranhamente está sem roupa, olha em volta e toma nota dos limites e alguns detalhes daquela divisão da casa… uma sala de estar. Passa pelo hall de entrada. De um lado uma cozinha mal arrumada, do outro uma porta que parece ser da saída… está nu, por isso não se aventura, ainda… percorre um corredor, à direita uma casa de banho que não lhe parece estranha de todo. Mais à frente uma porta semi-aberta para um quarto meio escuro. Também ali as persianas ficaram mal fechadas e alguns raios de luz teimavam em tomar posse daquele espaço.



Abre um pouco a porta, devagar. Na cama, uma mulher deitada de barriga para baixo, com o tronco nu e um lençol a tapar-lhe as pernas até à cintura, indiciando também a sua nudez.
Quem seria aquela mulher? E porque estaria ele ali, naquela casa?

Num ligeiro sobressalto, ela volta a cabeça a custo, coloca a mão sobre a testa, desviando algum do cabelo que lhe cobre a cara e revelando algum esforço e desconforto, como se os sons a tivessem invadido também e num pequeno esgar para manter os olhos o mais fechados possível, diz:

- Demoraste tanto… deste bem com a casa de banho…? Volta para a cama…


nota da redacção: antes que fiquem com ideias e comecem a especular, apesar de o inicio desta short-story ter sido baseado em alguns - pequenos - factos reais, devo dizer que metade da história é ficticia, outra metade não é verdade e a outra metade fui eu que inventei (tal como o resto da historieta).




Gmail's pseudo-serendipity



Como devem saber (para quem o usa), o Gmail tem uma funcionalidade que é o chat-box, para se conversar à-lá-MSN com quem tiver a sua conta de email aberta nesse momento, no seu browser.

O meu agora diz permanentemente "You're invisible".

Obrigado... mas não preciso que me joguem isso à cara.


nota: eu sei que aquilo é o estado pessoal e que se pode alterar facilmente.

nota 2: por acaso até nem me sinto tanto invisível... pelo menos parece que consegues ver demasiado bem os meus defeitos.

nota 3: o objectivo deste post é apenas e só fazer um trocadilho com a porcaria do texto que me aparece no chat-box do Gmail...






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